quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Depoimentos

Guardo aqui minhas lembranças, depoimentos de Orkut, e agradeço a cada um que passou por minha vida e me fez sentir tão especial, montando junto comigo, minha história. Aos que permaneçerão, serão eternos. Eu amo todos vocês.

-Reddi diz-

Olha, vc pode continuar me mandando frases feitas...
nao feitas...
pensadas... nao pensadas...
aquelas q soh sai qndo a gnt ta com raiva...
ou até mesmo pq ta sozinha e sente falta de alguem...

Eu t entendo, sei o que vc ta passando, ja passei por isso realmente, mais...
nao do mesmo jeito e vc sabi...
eu to aki sempre...
posso tentar mudar alguma coisa...
fazer vc qrer algumas coisas...
mostrar pra vc como se faz...

fazer por vc...
mas cada um eh um, neh?!
Todo mundo tem alguem pra amar, mas eh bem dificil achar alguem que t ame de volta...
essas coisas reciprocas da vida, credo¬¬'
mais enfim, vc sabi o qnto eu gosto de ti e nao qro ver vc fazendo besteiras, ouviu mocinha?!
nao qro ser um mau exemplo... coisa q eu vejo que já sou...
nao vou t fazer mal...
tambem nao qro que me odei por nao poder ficar contigo sempre, okay?

Beijos e uma mordida =D
=**

-B diz-

.Dona Mandóka ;* / diz:
é foda ser foda, amor (h)
- :Þ BiáHhHhHh diz:
é foda poder ser foda, amor ^^
- :Þ BiáHhHhHh diz:
é foda ter alguem como você, minha lindA..

Cara, como é bom ter você aqui seeemprE!!!
Sempre que eu pricisar e querer...
Sempre que você quiser..
Sempre que necessário..
Sempre que possível..
Sempre que for sempre..

E para todo o SemprE !!!

Sempre! ♥

^^

-Faáh diz-


' Vc é a razão do meu sorriso (L)

-Balero diz-
a pessoa mais carinhosa ,meiga e linda que eu já conheci em toda a minha vida !
saudades das trakinas verdes ,dasbalinhas de extase :o haoahoiahu ,dafalta de dinheiro ,dizerque não temos dinheiro de condução :) de rir a toa ;saudades de você ,minhabixa :) SAUDADES que não aguento mais /:

eu te amo ,espero que seja eterno , ♥

-Bruna diz-
me lembro como se fosse ontem, no dia em que numa conversa de msn, combinamos de nos encontrar...
Center Norte, fim de semana, á tarde. muitas ligações antes disso. risadas, gargalhadas, rolando de rir por telefone, mesmo tímidas.
na hora do encontro, foi emoção pura. QUASE CHORAMOS. foi uma das imagens mais linda que já ví em toda a minha vida;
a nossa amizade foi aumentando, e quanto mais a conhecia, mais admirava-a. me ajudou muito nas horas mais difíceis, e só ela podia me entender.
se indignava por coisas minhas, e lutávamos JUNTAS pra que a injustiça não se repetisse.
hoje, nem tenho como agradecer a todo o carinho, força e amizade VERDADEIRA em que voce se dedicou e me proporcionou.
mesmo com todas as impossibilidades, conseguimos compartilhar alguns momentos, e esses poucos são tão importantes quanto o que sou hoje, pois devo MUITA coisa a voce.
EU TE AMO MUITO, NADA MUDO;


-Renato diz-
Como Posso Falah
Minha Alma Clama por ti!!!
Eo Amo Voc Pelo simples Fato de Voc ser Voc.
Voc Me Completa, Me Aguenda nas Minhas neuras (neura de Bee e dóze).
como posso explica pra voc e pra quem estiver lendo isso.ter encontrado voc foi unico especial, foi saber q naquele instante alguem nesse mundo queria o meu bem queria minha presensa e q estava feliz por eo estar lá e q eo signifikava algo Pra essa essa pessoa.
Foi o melhor encontro q eo jah tive em toda a vida pq realmente eo senti um Abraço Verdadeiro, senti um bjo verdadeiro(no rosto).
Quero que voc Saiba q voc Marcou akele dia Pro resto dah minha vida q se nessa vida somos um breve instante voc foi um dos mais importantes.
Para todo sempre quero estar fazendo Parte dah sua Vida e q voc faça Parte dah minha.sei q naum escrevi muitas coisas importantes e com nexo mas quero q voc saiba q eo t amo soh entenda isso.
Ps: Minha Mãe mandou Um super,ultra, mega, Blaster, Plus, Adventury bjo pra voc. todo dia ela pergunta d voc.i jah viro da familia.

-Duke diz-
vou morder seu alargador.

te quiero, dudah.

-Renan diz-
Como eu posso te amar tanto assim?!?
Sinto falta dos teus abraços.
Do seu cheiro.
Do seu carinho.
Do seu jeito.
Sinto falta de você!!

Pra sempre em minha vida!! AMO MUITO VOCÊ!!

-Sweet diz-
Não é assim tanto seu poder não... Isso tudo acontece porque voce me faz te querer a todo momento. Isso sim que importa no seu poder.
Te amo minha pequena
Minha amada
Minha vida
Meu amor
Meu ar
Meu céu
Minha terra
'Preciso tanto aproveitar você, olhar teus olhos, beijar tua boca (8...

-Clara diz-
Me faz feliz por distância.
Amo.

S2

-Luan diz-

Dudidolina, minha menininha mais pudim cororedo decotada pirua inedita, é minha Maldita preferida XD

Bit my ear! s2

-Joel diz-
Ela me cativou, conquistou meu coração carente de amizade...
Nossa!, parece que já fomos amigos em outra vida (algum espírita pode me orientar nisso?)
Um dia, e espero que seja logo, a gente vai se encontrar pessoalmente, conversar, se divertir e discutir também, né? rs
Te amoooooo!!!

-Catino diz-
A Duda, solteira ou casada, Homi, Muié ou meio termo, é minha realização.

-NathalyDibe diz-

Dudão; voce vai ser sempre a minha preferida ♥

-psicostyle diz-
Minha garota sensual sedutora ♥
AUHEHUAUHEUHUAHE

-Maree diz-
Minha Gatxa Hhetero

(♥)

-Tiia Biina-

Aaaaah minha DUDÃO
UHASUAHSU Te adoro miinha
gaataa ♥

-Sweet diz-
Agora um decente:
Dúdah, vc tem se tornado, a cada dia, uma pessoa essencial na minha vida.
Preciso de voce, me tirando o ar
Devolvendo-o em seguida
Preciso de vc, fazendo meu coração parar
E acelerando a batida.
Preciso de vc.
Te amo, mtu
E vou pichar sua rua, bater na sua porta de noite completamente (8) louco de amor.
Bjo

-Shaka diz-
ah duh...
eu amo ela uéh
Simplismente perfeita!!!

-Jony diz-
Ela me entende,
Ela chora quando eu choro,
Ela fica triste quando eu estou triste.
Ela fica feliz quando estou feliz =D
Ela simplesmente é amiga pra toodas as hrs
*--*
mesmo q eu demore mais de 1:30 na catraca da Barra Funda ou do Tatuapé ela me entende

=P

Por issu q eu amo ela e ela me ama
eu semprei estarei do seu lado.
nas hrs booas e ruins.
vamos ficar velhinhus juntoss, e vc vai ter de me esperar mais de 300 vezes na catraca..
Pq nós temos muuitas coisas pra viver juntos, chorar juntos e batalhar pelo q mais queremos juntos *--*
Amoo vc de MONTÃO

*--*

se ta aki amoor


---
(L)

Uma única célula

Dentro do carro, você só vê a rua passando, os lugares, sempre os mesmos, embora essa cidade seja gigante. É como se tudo fosse igual. Cada prédio, cada rua, cada pessoa.
De repente, a pequena diz: ''olha a Thaís alí'' ; como se fosse a coisa mais banal, se referindo a uma grande amiga minha de infância, passando na rua.
Olhei-a, ansiosa.
Ela não mudara nada, desde o tempo em que saiamos juntas todos os dias, iamos para a escola e passamos o intervalo fofocando junto com as outras meninas, a Carol, a Bia, a Jesther. As melhores companhias do meu Ensino Fundamental.
Ela estava com a mesma maneira rápida e incompreensivel de andar, curvada. Estava com uma bolsa que lhe dei de presente a uns 3 anos atrás.
Comecei a imaginar como estaria sua vida, como estariam seu irmão, seus pais. Adorava-os tanto. E as outras meninas? Sabia que a Bia ainda estava no mesmo colégio em que nos conhecemos. Que a Carol se mudara para Araraquara, ficou um tempo por lá, mas acabara de voltar para Sampa.
E a Jesther, sempre a mais difícil. Simplismente...desapareceu. Sem telefone, internet, sinal de fumaça, nenhum tipo de contato conosco.

Com certeza, para todas foi uma época incrível e me dou o direito de falar por nós 5. Foi um aprendizado, um crescimento, uma fase incrível, recheada de momentos felizes, de brigas, de tristezas, choros, discussões, separações e reconciliações. Muitas risadas, muitas lembranças. ABCJT.

Fico pensando o que causou essa separação, não nos vermos, não nos falarmos direito mais. Primeiro foi mudança de escola. TOdas as 5 do SAA, e cada uma foi pra um canto. Depois, creio que foi o amadurecimento natural. Cada uma com suas idéias, relacionamentos, familia, e rotina, fez com que se criasse uma baita de uma distância entre o que tinhamos de mais importante, a união.

Talvez não nos esforçamos muito. Talvez era pra ter sido assim mesmo. Não sei. Mas sinto falta das minhas amigas, sinto mesmo. Guardo até hoje o anel, a fita, as fotos. As lembranças. Espero que um dia nos reencontremos, pra colocar as novidades de um bom tempo, em dia.
Só não digo que tenho certeza. Na época, a nossa unica certeza é que seríamos sempre um, uma única célula de amizade imensa, eterna, e agraciada, cada uma por 4 irmãs de alma.

I miss you all.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O meu amor

''O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca
Quando me beija a boca
A minha pele inteira fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada, ai

O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos
Viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo
Ri do meu umbigo
E me crava os dentes, ai

Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz

O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me deixar maluca
Quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba malfeita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita, ai

O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios
De me beijar os seios
Me beijar o ventre
E me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo
Como se o meu corpo fosse a sua casa, ai

Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz''

Chico Buarque

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Detalhes.

O sorisso da Helena, os olhos verdes da Cecília.
A calvície do Fernando, o cabelo da Juliana.
Os bicos da Clarissa, a ausência do Aldo.
A elegância da Thais, a beleza do Eduardo.
As dobrinhas da Rita, a altura do Pedro.
As brincadeiras do Otávio.
A voz da Daniela. O sobrenome da Carmen.

A barba do Marcel, os trejeitos do Renato.
O sotaque do Shaka.
Os brincos do Bruno, os layouts do Faáh.
A falta de cabelo do Gui, a benga da Dani.
O francês do Daniel, a infantilidade do Jony.
A maldição do Luan, a do Flávio também.
A cantoria da Bruna, a pele do Bruno.
A franja da Reddi. As covinhas do Van.

O amor do Jai.
As caretas da Dacy. As falanges do Raimundo.
As conversas da Dalva. As perninhas da Bia.
A gentileza da da Cris. A risada da Ju.
A felicidade da Jo. A paz do Gabriel.
A janelinha da Gabi. As pernas do Junior.
A resistência do Donizete. As botas do Vladimir.
As danças do Felipe. O trabalho da Milena.
A voz da Julia. E a do Tiago também.
O jeito paterno do André. O materno da Néia.
O companheirismo do Ronaldo

O amor.


Minha familia (L)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Oliver

Estava aquela chuva de verão cretina caindo sobre Santana, eu estava cansada, voltando do centro da cidade com minha mãe, e precisávamos tomar um ônibus no terminal Santana. A fila estava ENORME. Veio um homem pedir dinheiro para comer. Minha mãe não deu nada, assim como as outras pessoas da fila. O homem se sentou; sujo, cheirando mal.

Eu estava tão cansada, o calor, e tudo o mais, pedi pra ir sentar, e sentei em um banco ao lado do homem. Ele me disse que estava a duas semanas sem comer. Eu disse que não tinha nenhum dinheiro, apenas o dinheiro da passagem de ônibus, o que não deixava de ser verdade, mas dei metade da minha garrafa de Coca Cola pra ele. O homem agradeceu, e bebeu com tamanho gosto, de uma só vez, como se aquela Coca fosse a última e melhor coisa da face da Terra.

Ele dizia: ''Saí de casa. Estou longe de casa'' Então começou a cantarolar a música da Blitz ''Longe de casa, a mais de uma semana'' e eu o acompanhei em um verso. Disse que não estava longe de seu amor, mas que precisava comer. Pediu ajuda novamente, para outra pessoa da fila : ''Ei, você, eu estou com fome e preciso de sua ajuda''. No início a moça ignorou, mas depois disse ''Eu não tenho nada para você''

Perguntei seu nome. ''Meu nome é Oliver'' Dai então minha mãe reparou que ele estava falando comigo e me mandou voltar pra fila. Eu não tinha opção, e voltei. Dois minutos depois, Oliver estava do lado da minha mãe, e dizia: ''Só uma coisa minha senhora; eu faltei com o respeito? Faltei com a dignidade?''

Eu pensei 'Realmente. Ele não fez nada. O que ele podia fazer alí? Estava aguentando nãos o dia inteiro, debaixo de chuva, morrendo de fome e de sede, e quando alguém lhe sorri, lhe dá algo, ou simplismente pergunta seu nome, aconteçe algo assim. Tive que voltar' Minha mãe disse: ''se estamos te ignorando, fique na sua'' Intervi. ''Mãe, pare'' E Oliver continou '' Eu não faltei com o respeito nem com a dignidade. Eu me humilho todos os dias pra pedir um real pra poder comer'' E minha mãe rebatia ''Mas nós não temos. É só isso '' E ele não pode fazer nada, simplismente se virou e voltou para o banco, indignado. Me senti mal.

Achei injusto minha mãe ser tão rispida, apesar de não ter sido mal educada, ela nem sabia com quem estava falando. Ele não havia lhe feito nada. Ele apenas estava lá, pedindo dinheiro, e eu lhe dei minha Coca Cola, lhe perguntei o nome.

Acho que as pessoas deviam tentar entender melhor o ponto de vista das outras, tentar se colocar no lugar das outras. Não sei. Mas eu simplismente não aguentava mais ver as pessoas serem tão estúpidas apenas porque se julgam serem melhores por causa do poder aquisitivo. Ou porque estavam mais cheirosas, mais bem vestidas. Ou tinham o que comer.
Patético.

Tão Rápido

Mais uma. Sua foto ficou incrível ! ''ótimo!'' ela pensou. E se sentou ao lado do amigo. Guardou a máquina. E gritou; segurou em seu braço. Tudo tão rápido.

Em um segundo seu braço estava do outro lado, guiando-a. Seu rosto se movia sem controle, ela não enxergava mais.

Pensou, lentamente, que ia morrer.

Não sabia se desmaiara ou não, apenas se viu sendo carregada por alguns homens, e a voz de seu amigo, sem ve-lo.

Acordou novamente. Enfermeiros de PS se revezavam em colocar um tubo de ar em seu nariz, um de soro em sua veia, e enche-la de perguntas. ''Qual é o seu nome?''; ''Que remédios você toma?''

Ela não conseguia falar. Precisava chorar, as luzes irritavam seus olhos. Aquilo não podia ser real. PS. Convulsão. Alí as pessoas tentavam lhe explicar o que acontecera.

''Você teve uma crise na rua, em frente ao hospital, seu amigo pediu ajuda e te trouxemos pra cá. Agora está tudo bem, já ligamos pra sua mãe,e ela está a caminho''

Bruno!

''Bruno, onde está Bruno?'' A garota chorou até o amigo aparecer. Se sentia sozinha.

''Já liguei pra mãe, ela está vindo.''

Calma. Agradecimentos. Descrença. Conformação.

Toda a rotina de remédios e organização de pensamentos havia sido quebrada. Ela jamais iamginaria que sentiria aquilo de novo.

Mas agora ela sabia como agir e que fazer. Sabia que não estaria sozinha jamais.

Anjos são boas companhias.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Depilação Cavadinha

"Tenta sim. Vai ficar lindo."

Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão de amigas, me render à depilação na virilha. Falaram que eu ia me sentir dez quilos mais leve. Mas acho que pentelho não pesa tanto assim.

Disseram que meu namorado ia amar, que eu nunca mais ia querer outra coisa. Eu imaginava que ia doer, porque elas ao menos me avisaram que isso aconteceria. Mas não esperava que por trás disso, e bota por trás nisso, havia toda uma indústria
pornô-ginecológica-estética.

- Oi, queria marcar depilação com a Penélope.
- Vai depilar o quê?
- Virilha.
- Normal ou cavada?

Parei aí.
Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada. Mas já que era pra fazer, quis fazer direito.

- Cavada mesmo.
- Amanhã, às... Deixa eu ver...13h?
- Ok. Marcado.

Chegou o dia em que perderia dez quilos. Almocei coisas leves, porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim, pra ficar chique. Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui.
Assim que cheguei, Penélope estava esperando. Moça alta, mulata, bonitona. Oba, vou ficar que nem ela, legal. Pediu que eu a seguisse até o local onde o ritual seria realizado. Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor. De um lado a parede e do outro, várias cortinas brancas. Por trás delas ouvia gemidos, gritos, conversas. Uma mistura de "Calígula" com "O Albergue". Já senti um frio na barriga ali mesmo, sem desabotoar nem um botão. Eis que chegamos ao nosso cantinho: uma maca, cercada de cortinas.

- Querida, pode deitar.

Tirei a calça e, timidamente, fiquei lá estirada de calcinha na maca. Mas a Penélope mal olhou pra mim. Virou de costas e ficou de frente pra uma mesinha. Ali estavam os aparelhos de tortura. Vi coisas estranhas. Uma panela, uma máquina de cortar cabelo, uma pinça. Meu Deus, era "O Albergue" mesmo.
De repente, ela vem com um barbante na mão. Fingi que era natural e sabia o que ela faria com aquilo, mas fiquei surpresa quando ela passou a cordinha pelas laterais da calcinha e a amarrou bem forte.

- Quer bem cavada?
....é... é, isso.

Penélope então deixou a calcinha tampando apenas uma fina faixa da Abigail, nome
carinhoso de meu órgão, esqueci de apresentar antes.

- Os pêlos estão altos demais. Vou cortar um pouco senão vai doer mais
ainda.
- Ah, sim, claro.

Claro nada, não entendia porra nenhuma do que ela fazia. Mas confiei. De repente, ela volta da mesinha de tortura com uma espátula melada de um líquido viscoso e quente (via pela fumaça).

- Pode abrir as pernas.
- Assim?

Não, querida. Que nem borboleta, sabe? Dobra os joelhos e depois joga cada perna
pra um lado.

- Arreganhada, né?

Ela riu. Que situação. E então, Pê passou a primeira camada de cera quente em minha virilha Virgem. Gostoso, quentinho, agradável. Até a hora de puxar.

Foi rápido e fatal. Achei que toda a pele de meu corpo tivesse saído, que apenas
minha ossada havia sobrado na maca. Não tive coragem de olhar. Achei que havia sangue jorrando até o teto. Até procurei minha bolsa com os olhos, já cogitando a possibilidade de ligar para o Samu. Tudo isso buscando me concentrar em minha expressão, para fingir que era tudo supernatural.
Penélope perguntou se estava tudo bem quando me notou roxa. Eu havia esquecido
de respirar. Tinha medo de que doesse mais.

- Tudo ótimo. E você?

Ela riu de novo como quem pensa "que garota estranha". Mas deve ter aprendido a ser simpática para manter clientes.

O processo medieval continuou. A cada puxada eu tinha vontade de espancar Penélope.
Lembrava de minhas amigas recomendando a depilação e imaginava que era tudo uma grande sacanagem, só pra me fazer sofrer. Todas recomendam a todos porque se cansam de sofrer sozinhas.

- Quer que tire dos lábios?
- Não, eu quero só virilha, bigode não.
- Não, querida, os lábios dela aqui ó.

Não, não, pára tudo. Depilar os tais grandes lábios ? Putz, que idéia. Mas topei. Quem está na maca tem que se fuder mesmo.

- Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor.

Não bastasse minha condição, a depiladora do lado invade o cafofinho de Penélope
e dá uma conferida na Abigail.

- Olha, tá ficando linda essa depilação.
- Menina, mas tá cheio de encravado aqui. Olha de perto.

Se tivesse sobrado algum pentelhinho, ele teria balançado com a respiração das
duas. Estavam bem perto dali. Cerrei os olhos e pedi que fosse um pesadelo. "Me leva daqui, Deus, me teletransporta" . Só voltei à terra quando entre uns blábláblás ouvi a palavra pinça.

- Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá?
- Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada.

Estava enganada. Senti cada picadinha daquela pinça filha da mãe arrancar cabelinhos
resistentes da pele já dolorida. E quis matá-la. Mas mal sabia que o motivo para isso ainda estava por vir.

- Vamos ficar de lado agora?
- Hein?
- Deitar de lado pra fazer a parte cavada.

Pior não podia ficar. Obedeci à Penélope. Deitei de ladinho e fiquei esperando novas ordens.

- Segura sua bunda aqui?
- Hein?
- Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda.

Tive vontade de chorar. Eu não podia ver o que Pê via. Mas ela estava de cara para ele, o olho que nada vê. Quantos haviam visto, à luz do dia, aquela cena? Nem minha ginecologista. Quis chorar, gritar, peidar na cara dela, como se pudesse envenená-la. Fiquei pensando nela acordando à noite com um pesadelo. O marido perguntaria:
- Tudo bem, Pê?
- Sim... sonhei de novo com o cu de uma cliente.

Mas de repente fui novamente trazida para a realidade. Senti o aconchego falso da cera quente besuntando meu Twin Peaks. Não sabia se ficava com mais medo da puxada ou com vergonha da situação.
Sei que ela deve ver mil cus por dia. Aliás, isso até alivia minha situação. Por que ela lembraria justamente do meu entre tantos? E aí me veio o pensamento: peraí, mas tem cabelo lá?
Fui impedida de desfiar o questionamento. Pê puxou a cera. Achei que a bunda tivesse
ido toda embora. Num puxão só, Pê arrancou qualquer coisa que tivesse ali. Com certeza não havia nem uma preguinha pra contar a história mais. Mordia o travesseiro e grunhia ao mesmo tempo. Sons guturais, xingamentos, preces, tudo junto.

- Vira agora do outro lado.

Porra.. por que não arrancou tudo de uma vez? Virei e segurei novamente a bandinha.
E então, piora. A broaca da salinha do lado novamente abre a cortina.

- Penélope, empresta um chumaço de algodão?

Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Era dor demais, vergonha demais. Aquilo não fazia sentido. Estava me depilando pra quem? Ninguém ia ver o tobinha tão de perto daquele jeito. Só mesmo Penélope. E agora a vizinha inconveniente.

- Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha.
- Máquina de quê?!
- Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem campo de futebol.
- Dói?
- Dói nada.
- Tá, passa essa merda...
- Baixa a calcinha, por favor.

Foram dois segundos de choque extremo. Baixe a calcinha! Como alguém fala isso sem antes pegar no peitinho? Mas o choque foi substituído por uma total redenção.
Ela viu tudo, da perereca ao cu. O que seria baixar a calcinha? E essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável.

- Prontinha. Posso passar um talco?
- Pode, vai lá, deixa a bicha grisalha.
- Tá linda! Pode namorar muito agora.

Namorar...namorar. .. eu estava com sede de vingança. Admito que o resultado é bonito, lisinho, sedoso. Mas doía e incomodava demais.
Queria matar minhas amigas.
Queria virar feminista, morrer peluda, protestar contra isso.
Queria fazer passeatas, criar uma lei antidepilação cavada.

Queria comprar o domínio www.preserveasvaginaspeludas.com.br

Filha da puta foi a mulher que inventou a "cavadinha".

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Edson Néris é cada um de nós


Por Márcio Retamero* 11/2/2010 - 19:12

No dia 06 de fevereiro de 2000, há dez anos, um homossexual chamado Edson Néris da Silva foi brutalmente assassinado por uma gangue de skinheads na Praça da República, centro de São Paulo. O motivo? Passava pela praça de mãos dadas com seu namorado Dario Pereira Netto. Bastou isso, para um bando de mais de trinta "carecas" voassem em cima dos dois munidos de correntes, soco inglês, chutes e pontapés. Dario conseguiu fugir, mas Edson foi espancado até a morte.

Um vendedor ambulante que estava no local e presenciou tudo, foi o ser humano que agiu como o "bom samaritano" da parábola dos evangelhos. Seguiu o grupo até um bar no bairro do Bexiga, onde tranquilamente tomariam cervejas, provavelmente comemorando o ato. Ele telefonou para a polícia, que cercou o bar, prendendo cerca de vinte dos integrantes do grupo "Carecas do ABC". Desses vinte, apenas três foram condenados, dois deles a vinte e um anos de prisão; dez anos depois todos estão soltos.

O promotor Dr. Marcelo Milani que ofereceu denúncia contra os três réus foi considerado, por muitos, um herói na época. Durante todo o processo ele conduziu o crime praticado pelos carecas como um crime de ódio, tipologia criminal inexistente no Brasil. É dele a frase que ficou famosa: "Se os carecas podem andar pelas ruas com suas camisetas, botas, anéis que os identificam como neonazistas, os homossexuais também podem andar de mãos dadas". Não tenho dúvidas: não fosse a linha de acusação que o Dr. Milani tomou, este caso seria mais um impune no nosso país.

O crime correu nas manchetes de jornal, revistas (a revista Época ganhou um prêmio de uma importante ONG LGBT pela cobertura do caso) e órgãos internacionais de Direitos Humanos acompanharam de perto e com atenção o caso, tudo isso devido ao intenso trabalho da militância do Movimento Homossexual Brasileiro (MHB). De Norte a Sul do Brasil, discutia-se questões como orientação sexual, direito das minorias e a palavra homofobia entrou para o dia-a-dia dos meios de comunicação e no linguajar político da militância.

Dias após o crime, um grupo de quinhentas pessoas se reuniu na Praça da República para uma vigília em memória de Edson Néris; contudo, um grupo bem maior de homossexuais a poucos metros dali, na Av. Vieira de Carvalho, levava a vida como se nada tivesse acontecido, curtiam a noite com gargalhadas e cervejas e se recusaram a participarem do ato, segundo denúncia do nosso premiado escritor João Silvério Trevisan em artigo escrito naquele contexto. Neste artigo contundente em que denunciava também o oportunismo e as divisões dos grupos da militância LGBT numa disputa que Trevisan chamou de "inflação fálica", o autor afirmava: "Edson Néris é cada um de nós".

Dois anos antes do assassinato brutal do nosso adestrador de cães (essa era a profissão do Edson), no dia 12 de outubro de 1998, falecia no Hospital Proude Valley, no estado do Wyoming, EUA, o estudante universitário Matthew Shepard (foto). Matthew foi torturado e espancado por dois jovens. Motivo? Era gay tal como o nosso Edson Néris.

Poucas são as diferenças entre Shepard e Néris: econômica, social, geográfica. Muitas as semelhanças: ambos eram cristãos; o americano era evangélico e Néris era mórmom; ambos gays e ambos foram assassinados por serem homossexuais. As consequências da morte traumática de ambos abrem um imenso abismo entre os dois: o americano, além de milhares de sites em sua memória, fundações em defesa dos direitos humanos LGBT, memoriais erguidos que recordam à sociedade o que aconteceu para que não se repita o mesmo ato hediondo, três filmes e uma lei com seu nome, o "Matthew Shepard's Act", assinada em outubro de 2009 pelo presidente Barack Obama. A lei, inédita nos EUA, criminaliza a homofobia.

Do lado debaixo do Globo, Edson Néris não ganhou nenhum site em sua homenagem (busquei sem sucesso no Google); nenhum memorial, por mais que Ricardo Aguieiras tente até hoje, foi erguido; nenhum filme, nem sequer um documentário... Sim, existe o Instituto Edson Néris, mas você que é LGBT e que não faz parte da militância sabia dessa informação ou sabe quais são as atividades do IEN? Por que ainda não temos um memorial ao Edson conforme noticiado aos quatro ventos na primeira Conferência Nacional LGBT? O mármore rosa já foi garantido pelo Grupo Gay da Bahia, estado de origem da família do Edson. Por que ainda não foi construído? Por que nenhum cineasta se interessou pelo caso para fazer pelo menos um documentário? Por que a Câmara de Vereadores de SP ou a Prefeitura de SP ou o Governo do Estado de SP nada fizeram até hoje em homenagem ao Edson? Nem mesmo a Lei 10.948/01, que trata da penalização por atos homofóbicos no estado de SP, leva o nome da vítima assassinada no mais emblemático caso de crime de ódio praticado neste estado!

Nos EUA, onze anos depois do assassinato de Matthew Shepard, o presidente Barack Obama assinou a lei que criminaliza a homofobia. No Brasil, dez anos depois do assassinato de Edson Néris, a PLC 122/06 continua parada no Senado pelo vergonhoso trabalho dos senadores evangélicos. Magno Malta mais uma vez conseguiu adiar a votação do PLC 122/06 na Comissão, convocando audiência pública para "debater" o tema da matéria, convidando para isso, um dos maiores inimigos da comunidade LGBT brasileira, o Pastor Silas Malafaia! Isso é um deboche! Um absurdo!

Parte da militância LGBT diz que jamais vivemos um período político como o atual. O Governo Federal, dizem alguns, é o governo mais pró-LGBT que já tivemos em nossa História - e isso não é de todo uma inverdade - mas eu pergunto: este governo que já conseguiu tantas vitórias no Legislativo em suas matérias de interesse; este governo que já foi acusado de passar como um "rolo compressor" na oposição no Congresso Nacional; este governo que elaborou o Programa Brasil sem Homofobia; por que ainda não conseguiu, com seus aliados, passar o PLC 122? Sim, porque eu só vejo e ouço os senadores Magno Malta e Marcelo Crivella trabalharem contra e conseguindo parar as votações! Somente os dois têm tanto poder assim? Detalhe: Crivella é o candidato do Lula ao Senado no Rio de Janeiro! Pode isso no governo mais pró-LGBT que o Brasil já conheceu?!

Na real, falta é interesse e trabalho com afinco! Faço minhas as palavras de João Silvério Trevisan e pergunto: "Quantos 'Edsons' ainda terão que morrer até tomarmos consciência de quem somos e lutarmos por nosso amor?"

* Márcio Retamero, 35 anos, é teólogo e historiador, mestre em História Moderna pela UFF/Niterói, RJ. É pastor da Comunidade Betel do Rio de Janeiro - uma Igreja Protestante Reformada e Inclusiva -, desde o ano de 2006. É, também, militante pela inclusão LGBT na Igreja Cristã e pelos Direitos Humanos. Conferencista sobre Teologia, Reforma Protestante, Inquisição, Igreja Inclusiva e Homofobia Cristã. Seu e-mail é: revretamero@betelrj.com.

Texto publicado no site http://acapa.virgula.uol.com.br/site/

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Araras;




Sabe. Lá eu não me sinto uma visita. Eu me sinto parte da família. Eu não me sinto como se tivesse que fazer as coisas por obrigação, faço porque eu quero. Dá vontade de fazer. O clima é tão agradável, não tem brigas, as pessoas todas me tratam tão bem :)
Mesmo sendo outro clima, outra energia, é muito bom. Por aqui, é briga. É um clima pesado na maioria das vezes e me incomoda. É ficar no PC o dia inteiro. É não ter nada pra fazer. Não ter pessoas pra conversar. Não tem algo que me deixe com vontade de esperar o tempo passar, de reunir todo mundo junto. Lá todos se reúnem. Nem que seja pra contar os casos, pra comer, pra desabafar. Tem união. Eu sinto falta de algumas coisas que muitas vezes...eu só consigo ter lá.
E isso é ruim. Queria a união, outra coisa pra fazer sem ser ficar sentada na frente do PC, e não precisar gastar mais de 10 reais pra sair de casa.
Eu sou muito feliz lá. Aqui também. Sou realmente muito feliz. E ter que esperar muitas vezes mais de um mês pra poder ir pra lá. Gastar uma grana que nunca saberemos se vem. Ficar os momentos poucos e necessários pra eu ter os melhores sorrisos, fotos, lembranças, tudo. E voltar pra cá. Diferente melhor, querendo fazer daqui sempre um ambiente melhor.
Mas a distância muitas vezes é tão ruim. Não gosto de ter que esperar, de ter que lembrar que ainda falta tanto. Mas quando chega perto a ansiedade é tão gostosa. Esquisito tudo isso eu acho.
E nesse meio tempo o humor fica numa montanha russa, de felicidade e tristeza, de não saber o que fazer, e olhar para fotos, e ter a certeza, que eu posso esperar o tempo que for, porque eu sou muito, muito feliz de ter vocês, todos, vocês !

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

sobre ele;




1993. Era uma vez uma menina. Amanda Brusi. 2005. Era uma vez a menina. Amanda Brusi Pino. Em algumas horas, assinando alguns documentos, eu tinha o sobrenome de meu pai, 12 anos depoies de ser registrada. Um sobrenome que eu não gostava, não via sentido, o conhecia apenas por uma foto ! Lembro-me talvez dele ter me levado ao cinema uma vez, aos 6 anos. nunca mais o ví. os dias seguintes ele veio me ver umas duas vezes, conversar sobre burocracia com minha mãe. Me deu um livro de fotografia. Falou sobre meus avós e meu tio que mora no Chile. Deixou um cheque. Entendi então que aquele nome era algo imposto para poder receber dinheiro dele todo mês. Acho que não deu certo. COntribuiu um mês e depois alegou na justiça estar desempregado. Raiva. Ódio. Queria deixar de ser filha dele, riscar aquele nome de todos os meus documentos. Era horrível. Amanda Pino. NÃO! Sou Amanda Brusi. Mas passou. Três anos se passaram e não nos falamos mais. Em 2009 ele apareceu, fmos nos encontrar, me deu dinheiro. Mas não sentia mais raiva, foi um dia agradável, lembro até hoje. Como dois velhos amigos tentando retomar o tempo perdido. E agora já faz um ano que não nos falamos. Els foi para o Chile cuidar de minha vó que está muito doente. E eu sinto algo muito esquisito; sinto vontade de ve-lo, saudades. SInto vontade de conhecer meus avós e minhas irmãs.Sei que tenho 3: Daniela, Aura e Ana Lucia. Será que sabem de mim? Será que vão gostar de me conhecer? Eu não sei se devo sentir isso, me importar com quem nunca se importou. Mas é família. Eu não sei abandonar.
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A TOCA;

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